Um corpo racializado que nunca toca o chão durante toda a duração da performance. Outro corpo que se torna chão do primeiro. We Might Aswell Talk parte de uma pesquisa sobre o toque, através de uma posição forçada/imposta a dois corpos: um em cima de outro, que nunca se inverte, na qual se vêm obrigados a comunicar e cooperar para um fim comum. Um cruzamento interdisciplinar entre o teatro e a dança, entre a palavra e as técnicas de contacto improvisação, entre a voz e o corpo. Um dueto que se questiona sobre as relações possíveis quando dois corpos são colocados nesta situação de extrema dependência e uma procura dos limites máximos físicos e mentais que conseguimos alcançar.
Ficha Artística
Direção artística e conceção: João Cardoso
Criação e interpretação: João Cardoso e Bharath Yadav
Assistência à dramaturgia e processo criativo: Juliana Fernandes
Apoio à dramaturgia: Cláudia Galhós e Piny
Figurinos: João Cardoso e Bharath Yadav
Sonoplastia: João Cardoso e Bharath Yadav
Desenho de luz: João Cardoso
Apoio à escrita: Natacha Campos
Direção de produção e olhar externo: Ricardo Machado (Outro Vento)
Co-produção: Circolando – Central Elétrica, Pétala Colateral
Estrutura de apoio na Índia: Beru art and cultural foundation
João Cardoso, Queer, intérprete de dança, performer, jovem criador e cofundador da Pétala Colateral – Associação Cultural e Artística. Interessa-se pelo movimento como forma de comunicação, no texto como forma de objetivar a abstração que é a dança contemporânea, e preocupa-se com o humano real e não virtual. Nasceu em Lisboa e foi nessa cidade, onde estudou no Conservatório de Música D. Dinis e, mais tarde, graduou-se na Escola Superior de Dança em 2014. Nesse mesmo ano, trabalhou com a Companhia Instável; e, entre 2015 e 2018, foi intérprete da Companhia Paulo Ribeiro. Dançou também Olhar Indiscreto de Patrícia Henriques em 2017; e, em 2018, integrou Se Alguma Vez precisares da minha vida vem e toma-a, de Victor Hugo Pontes, e Brother, de Marco da Silva Ferreira (2019 – 2023). Em 2020, integra TIMBER de Roberto Olivan com a Companhia Instável; em 2021, VIADUTO de Renan Martins; e, em 2024, Há qualquer coisa prestes a acontecer de Victor Hugo Pontes (ainda em digressão). Para além do seu trabalho como intérprete, tem desenvolvido o seu trabalho coreográfico, destacando as peças: Stay Still; Stand Silent; Adapted to Y&Y, em cocriação com Victor Gomes; diferentes peças para o curso Performact; e Um Abraço ou Um Beijinho, uma cocriação com Ricardo Machado. Destaca ainda o programa AN-TRE, do qual é cofundador e diretor.
Bharath Yadav é um bailarino, performer e criador de dança contemporânea oriundo da Índia, atualmente residente em Portugal. Em 2018, iniciou a sua formação em dança contemporânea, Kalaripayattu (arte marcial tradicional indiana) e dança clássica indiana no Attakkalari Centre for Movement Arts, em Bangalore, Índia.
A dança e o movimento constituem o seu principal meio de investigação, através do qual explora a natureza multifacetada da existência humana, incluindo as suas estruturas sociais, lutas políticas e paisagens psicológicas. Encara o corpo como uma ferramenta para explorar e comunicar estas realidades complexas, utilizando o movimento como uma linguagem que ultrapassa as palavras.
Em 2023, com o objetivo de expandir e aprofundar a sua prática artística, ingressou no programa de Intérprete/Coreógrafo de Dança Contemporânea da Performact, em Torres Vedras, Portugal. Durante a formação, trabalhou e colaborou com vários professores e coreógrafos de renome, entre os quais Tijen Lawton, Eduardo Torroja, Máté Mészáros, Cruz Isael Mata, João Cardoso, Juliana Fernandes, Gonçalo Lobato, Beno Novak, entre muitos outros. No último ano da sua formação na Performact, especializou-se em coreografia e apresentou as suas próprias criações em palco: To What Time Do the Shadows Belong? (2024) e NO(W)HERE (2025).
Atualmente, a sua prática artística é impulsionada por uma investigação contínua sobre a consciência do corpo — o corpo vivo, pensante e em movimento enquanto entidade física em constante transformação, equilíbrio e renovação. Procura redescobrir o corpo não como um objeto, mas como um processo. Esta pesquisa constitui a essência da sua prática artística.
