Esta criação encara a dança como algo contagiante e convida a dançar num espaço onde todos os corpos são possíveis.
Dançar é perigoso, ameaça o sistema, complica a situação. A dança incomoda, afeta, desorienta e complexifica os modos de estar hegemónicos. A dança, contagiante e invasiva, desestabiliza as lógicas da palavra, ameaça a linguagem normativa. Dançar pode ser uma epidemia.
Esta é uma peça autobiográfica sem biografia, um trompe-l’œil, uma coreografia emaranhada, um engano narrativo: coreo-biografia-pirata. Trata-se de dançar enquanto se dança.
Esta bailarina não tem truques de magia preparados. O seu material coreográfico é vasto e, por vezes, incompreensível; falha nas piruetas com a perna esquerda. Esta bailarina nunca quis ser a Giselle. Com todas nós: um corpo em rebelião, atravessado, revoltado; a bailarina não normativa, a bailarina faquir, a taumaturga, a subalterna.
Ficha Artística
Criação: Andrea Quintana
Coreografia e interpretação: Andrea Quintana
Direção e dramaturgia: Gena Baamonde + Andrea Quintana
Textos: VACAburra, inspirados em Joanna Russ e Linn-Liniker
Iluminação: Baltasar Patiño
Espaço sonoro: Davide González + Andrea Quintana
Imagem: Muller 6 Ollos
Figurinos: Saturna
Com o apoio de:
Residência de criação Residencias Paraíso do Coletivo RPM, CDG Salón Teatro.
Residência de criação em A Normal, espaço de intervenção cultural.
Apoios a Artistas da Câmara Municipal da Corunha e Galicia Danza Contemporánea.
VACAburra nasce em 2019 como um projeto de criação contemporânea na Galiza, fruto da convergência entre os percursos de Andrea Quintana e Gena Baamonde. O seu trabalho é atravessado pela hibridação de linguagens, o feminismo, a diversidade sexo-genérica, o humor e a investigação teórico-prática, tendo o corpo como principal motor das suas criações. Ao longo destes anos criaram peças como O raro é que bailar sexa raro, Metodoloxías Carroñeras para Corpos Invertidos, Familia Nijinska ou Festina Lente, peças que propõem uma reflexão crítica sobre os corpos e os discursos hegemónicos, sobre o poético-político na criação cénica, e nas quais os “danzalismos” (dança e vandalismo) funcionam como ferramentas metodológicas fundamentais./tg_accordion]
