Na província de Petorca, as comunidades abordam atualmente a paisagem numa perspetiva mítica, uma vez que a degradação dos solos levou à extinção de ecossistemas. Ninguém testemunhou o regresso efetivo das águas ao rio que, embora seco, continua a constituir uma memória coletiva daqueles que nasceram, chegaram e ficaram no território. O artista Camil Navarro invoca Limca, o espírito da água, para dar início a um ritual sonoro que traz à perceção as diferentes fontes hídricas da região, que se deixam ouvir vagamente no meio do silêncio e do solo erodido, através de sons que transgridem, expandem e subvertem a voz humana.
Esta mostra de processo de Camil Navarro resulta da residência realizada na CRL – Central Elétrica, no âmbito do programa desenvolvido com o apoio do Iberescena, e que este ano foi dedicado à ecofilosofia.
Ficha Artística
Conceito e performance: Camil Navarro
Assistência técnica: Matías Segura
Camil Navarro (CL) é um artista chileno de teatro e performance, atualmente radicado em Paris, França. A sua prática artística investiga a noção de corpo crítico, situando a fisicalidade do performer como eixo de exploração estética, de resistência política e de expressão da diferença. O seu trabalho procura colocar ao serviço da criação artística as morfologias singulares e os processos identitários em constante transformação. Através de residências artísticas, mentorias e programas de acompanhamento, desenvolve laboratórios de investigação corporal e sonora em colaboração com outros artistas e com comunidades humanas e não humanas.
Foi artista residente na Cité internationale des arts (Paris), no Radialsystem (Berlim), no Salt Galata (Istambul), no Centro NAVE (Chile) e no Centro Cultural de Espanha (Chile). Apresentou o seu trabalho no Chile, em França, na Alemanha e na Turquia. Atualmente frequenta um mestrado em Teatro e Performance, em Paris.
