Mangue Vermelho é uma pesquisa performativa de Mayara Baptista (e.t), artiste.t afro-indígene.t brasileire.t, que investiga ancestralidade, território e memória a partir de uma escuta sensível das relações entre corpo e natureza. A obra propõe um encontro entre cosmologias afro-diaspóricas e indígenas, entendendo o humano como parte de uma rede viva e interligada de existências, onde matéria, espírito e ambiente não se separam.
O manguezal e Ninki Nanka estruturam o campo poético da pesquisa: o manguezal como espaço de mistura, instabilidade e convivência entre diferentes mundos; Ninki Nanka como presença mítica que evoca o invisível, o indomável e as forças que atravessam a natureza. Essas imagens ativam uma reflexão sobre transformação, continuidade e os modos de vida que resistem ao apagamento.
A obra atravessa música, teatro e dança como linguagens inseparáveis, em diálogo com referências das danças indígenas brasileiras e dos saberes corporais do candomblé. Mangue Vermelho cria um espaço de experiência onde corpo e território se confundem, abrindo um campo sensível de escuta, presença e relação com o que nos atravessa.
Esta mostra de processo de Mayara Baptista resulta da residência realizada na CRL – Central Elétrica, no âmbito do programa desenvolvido com o apoio do Iberescena, e que este ano foi dedicado à ecofilosofia.
Ficha Artística
Criação, dramaturgia, designer de luz e som: Mayara Baptista
Apoio: Linha de Fuga / Residências Contra|o|Tempo e Cena Lusófona
Mayara Baptista (e.t.) é artiste.t ANTIdisciplinar afro-indígene.t brasileire.t que atua entre performance, musica, teatro e dança contemporanea afro-indigena. Sua prática investiga ancestralidade, memória, território e as políticas da voz, onde corpo, som e paisagem se encontram. Entre seus trabalhos recentes estão Vozes (Open Out Festival, Noruega, 2025), Onde Está a Criança Aqui Dentro? (Festival Precárias III, Lisboa, 2025) e Mangue Vermelho (Festival Linha de Fuga, Portugal, 2024–em desenvolvimento), pesquisa inspirada nas ecologias dos manguezais e em cosmologias afro-diaspóricas. Integrante do Teatro Oficina durante seis anos, atualmente desenvolve projetos entre Berlim, Portugal e Brasil.
