31 OUT 2026, 18h | Mostra de residência, Central Elétrica
5 NOV 2026, 19h – 22h30 | Workshop, Central Elétrica
Bem-vindos ao The Golden Museum of Crisis:
um museu imaginário construído à sombra das crises – passadas, presentes e ainda por vir.
Depois da Grande Inundação do Mediterrâneo, um porta-aviões americano abandonado deriva por uma paisagem submersa. No seu convés, este museu emerge como um lugar seguro para seis intérpretes que habitam este museu imaginário construído em palco. Transportam, manipulam, testam e ativam a sua coleção. Os seus corpos geram movimento e música, transformando gradualmente a exposição num espaço ritual.

No coração do museu reside a ideia de que superar uma crise exige uma reorganização das nossas emoções. A arte torna-se um dos instrumentos através dos quais esta transformação pode acontecer: uma forma de enfrentar a catástrofe, fazer o luto pelo que se perdeu e, simultaneamente, criar novas possibilidades para o futuro.
Aqui, cada objeto tem de ser testado por um corpo. Cada teste transforma-se numa cerimónia.
Cada cerimónia exige uma oferenda.



Em diálogo com antigos rituais em que o sacrifício era utilizado para restabelecer o equilíbrio e afastar a catástrofe, os intérpretes inventam as suas próprias cerimónias para enfrentar a crise.

YOUNESS ATBANE
Artista natural de Marrocos, vive e trabalha atualmente entre Casablanca e Berlim. A sua prática artística assenta numa relação crítica com os campos da arte, os seus agentes e a sua geopolítica.
Iniciou a sua formação em diferentes programas e adquiriu experiências artísticas nas áreas da performance e das artes visuais em França, Marrocos, Bélgica e Espanha. Em 2008 participou no programa de mestrado em artes performativas EX E.R.CE08 no Centre Chorégraphique National de Montpellier. Em 2010, concluiu um mestrado em Arte – Literatura e Museologia – pela Universidade de Nice. A sua prática desenvolve-se em três áreas: a performance ao vivo como espaço de reflexão, a criação de instalações como resultado do acto performativo e a fotografia e o desenho como arquivo. As três áreas estão interligadas e são interdependentes. O carácter exploratório do seu trabalho reúne práticas performativas e narrativas, apresentando simultaneamente qualidades discursivas e formais.
Apresentou as suas instalações e performances no Museu de Arte Contemporânea em Roma, no projecto paralelo da Bienal de Veneza (2011), no Instituto do Mundo Árabe, em Paris, no Museu de Arte Moderna e Contemporânea Mohammed VI, em Rabat, na Ostrale Biennale, em Dresden, e, mais recentemente, no Headlands Center for the Arts, em São Francisco, e no MASS MoCA, em Massachusetts.
Recebeu ainda reconhecimento no British Museum e no MuCEM, em Marselha, tendo sido distinguido com o prémio ArtPrize ZKB (Zürcher Kantonalbank), em Zurique.

OBJETO PARA UM CORPO / CORPO COMO OBJETO [Workshop]
Na vida quotidiana, os objetos são geralmente definidos através da linguagem e da sua função; classificamo-los como ferramentas, mobiliário, dispositivos de comunicação ou bens de consumo. No entanto, esta clareza funcional contrasta com a sua presença nos sonhos, onde os objetos surgem instáveis, simbólicos e frequentemente irracionais. Este projeto investiga a tensão entre estes dois estados: o mundo racional da utilização e da classificação e o mundo opaco e fluido dos sonhos.
Através da experimentação performativa e coletiva, os participantes irão explorar os objetos para além dos seus significados convencionais. Ao manipulá-los, repeti-los, deslocá-los e recontextualizá-los, procuramos dissolver as suas identidades fixas. Tal como acontece quando repetimos uma palavra até que esta perca o seu significado, os objetos neste laboratório transformam-se em «coisas» desligadas da sua finalidade original, abrindo espaço a novas associações conduzidas pela intuição, pela memória e pela imaginação.
O workshop estrutura-se como um laboratório de transformação, onde a linguagem, o movimento e a imagem interagem livremente, sem estarem ao serviço de significados predefinidos. Os participantes irão explorar a forma como emergem novas formas de representação quando os objetos deixam de ser entidades funcionais e passam a atuar como agentes de possibilidades especulativas.
O workshop será orientado em inglês e aberto a todos as pessoas interessadas, independentemente do seu percurso ou experiência.
Aconselhamos que tragam roupa e calçado confortáveis!