João Cardoso é intérprete de dança, performer, jovem criador e cofundador da Pétala Colateral – Associação Cultural e Artística. Interessa-se pelo movimento como forma de comunicação, no texto como forma de objetivar a abstração que é a dança contemporânea, e preocupa-se com o humano real e não virtual. Nasceu em Lisboa e foi nessa cidade, onde estudou no Conservatório de Música D. Dinis e, mais tarde, graduou-se na Escola Superior de Dança em 2014. Nesse mesmo ano, trabalhou com a Companhia Instável; e, entre 2015 e 2018, foi intérprete da Companhia Paulo Ribeiro. Dançou também Olhar Indiscreto de Patrícia Henriques em 2017; e, em 2018, integrou Se Alguma Vez precisares da minha vida vem e toma-a, de Victor Hugo Pontes, e Brother, de Marco da Silva Ferreira (2019 – 2023). Em 2020, integra TIMBER de Roberto Olivan com a Companhia Instável; em 2021, VIADUTO de Renan Martins; e, em 2024, Há qualquer coisa prestes a acontecer de Victor Hugo Pontes (ainda em digressão). Para além do seu trabalho como intérprete, tem desenvolvido o seu trabalho coreográfico, destacando as peças: Stay Still; Stand Silent; Adapted to Y&Y, em cocriação com Victor Gomes; diferentes peças para o curso Performact; e Um Abraço ou Um Beijinho, uma cocriação com Ricardo Machado. Destaca ainda o programa AN-TRE, do qual é cofundador e diretor.
Bharath Yadav é um bailarino, performer e criador de dança contemporânea oriundo da Índia, atualmente residente em Portugal. Em 2018, iniciou a sua formação em dança contemporânea, Kalaripayattu (arte marcial tradicional indiana) e dança clássica indiana no Attakkalari Centre for Movement Arts, em Bangalore, Índia.
A dança e o movimento constituem o seu principal meio de investigação, através do qual explora a natureza multifacetada da existência humana, incluindo as suas estruturas sociais, lutas políticas e paisagens psicológicas. Encara o corpo como uma ferramenta para explorar e comunicar estas realidades complexas, utilizando o movimento como uma linguagem que ultrapassa as palavras.
Em 2023, com o objetivo de expandir e aprofundar a sua prática artística, ingressou no programa de Intérprete/Coreógrafo de Dança Contemporânea da Performact, em Torres Vedras, Portugal. Durante a formação, trabalhou e colaborou com vários professores e coreógrafos de renome, entre os quais Tijen Lawton, Eduardo Torroja, Máté Mészáros, Cruz Isael Mata, João Cardoso, Juliana Fernandes, Gonçalo Lobato, Beno Novak, entre muitos outros. No último ano da sua formação na Performact, especializou-se em coreografia e apresentou as suas próprias criações em palco: To What Time Do the Shadows Belong? (2024) e NO(W)HERE (2025).
Atualmente, a sua prática artística é impulsionada por uma investigação contínua sobre a consciência do corpo — o corpo vivo, pensante e em movimento enquanto entidade física em constante transformação, equilíbrio e renovação. Procura redescobrir o corpo não como um objeto, mas como um processo. Esta pesquisa constitui a essência da sua prática artística.
Um corpo racializado que nunca toca o chão durante toda a duração da performance. Outro corpo que se torna chão do primeiro. WE MIGHT ASWELL TALK, parte de uma pesquisa sobre o toque, através de uma posição forçada/imposta a dois corpos, um em cima de outro, que nunca se inverte, onde se vêm obrigados a comunicar e cooperar para um fim comum. Um cruzamento interdisciplinar entre o teatro e a dança, entre a palavra e as técnicas de contacto improvisação, entre a voz e o corpo. Um dueto que se questiona sobre as relações possíveis quando dois corpos são colocados nesta situação de extrema dependência e uma procura dos limites máximos físicos e mentais que conseguimos alcançar.
Partindo do processo criativo de WE MIGHT ASWELL TALK, este workshop inspira-se nas técnicas de contacto improvisação, convidando os participantes a focar a sua atenção no toque, na partilha de peso, na escuta e no trabalho de grupo. Apesar deste projecto de criação, WE MIGHT ASWELL TALK, ser feito a dois, neste workshop, vamos tentar encontrar formas de aplicar as mesmas propostas deste processo criativo a um grupo. Iremos descobrir juntos talvez outras, possibilidades de peças coreográficas. Uma partilha entre a prática e a pesquisa, e um olhar atento sobre a curiosidade no toque.
Datas de realização e horário: 8 – 9 julho, 18h – 21h
Valor: 20 euros
Data limite das inscrições: 5 de julho
Valor pacote 2 workshops: 40 euros
Destinatários: Artistas, intérpretes, investigadores e demais interessados em dança, performance, cinema/vídeo, artes visuais, teatro, literatura, filosofia ou pensamento crítico.
Local: CRL – Central Elétrica, Rua do Freixo, 1071 4300-219 Porto
Transportes: Metro – Campanhã; STCP – 205, 400, 403 e ZC (paragem EDP)
Informações: geral@circolando.com
Programa completo disponível aqui.
Carolina Campos trabalha entre a dança e a performance com enfoque em dramaturgia, curadoria e pedagogia. Se interessa pela micropolítica das coletividades em processos de criação e investiga a performatividade da fala como ferramenta de imaginação, atenção e escuta. Em 2023 publicou Interrogar el Acompañar, pela editora Impremta LIO. Co-coordena o espaço independente Fondo em Barcelona. Participa de projetos curatoriais em instituições como Fundación Miró e Centre d’Arts Santa Mònica. Realiza a coordenação pedagógica de Campar Campo – Programa de Investigação e Criação em Dança dirigido por La Caldera e La Poderosa. Colabora com Letícia Skrycky no projeto de investigação e formação em iluminação cênica Matéria Leve. Investiga a Composição em Tempo Real, junto ao coreógrafo João Fiadeiro, desde 2012. Entre 2008 e 2011 integrou a companhia Lia Rodrigues Cia. de Danças, no Brasil.
Este workshop centra-se na conversa (em um sentido bastante amplo) como lugar de experimentação e ferramenta de vinculação entre pessoas e mundos que nem sempre convergem. Propõe experimentar a palavra como ação material e também o corpo e os objetos como dispositivos de diálogo, gerando contingência, reencantamento, afetação, presença e possíveis coletividades compatíveis com as vidas fragmentadas que temos à disposição no presente em que vivemos. Baseada em metodologias das artes performativas como a Composição em Tempo Real e práticas de co-acompanhamento, tomaremos a conversa como território fértil para a ligação entre mundos, e também para praticar a escuta, a atenção, a negociação, a incoerência e a discordância.
A nossa capacidade de conversar amplia, dinamiza e problematiza nossa relação com o mundo, mas também pode sobrepor-se aos acontecimentos e ocupar um lugar hierárquico, utilizando a palavra como ferramenta de poder, violência, desafetação e descorporificação.
Preservar a imaginabilidade dentro de sistemas precários e em colapso implica compreender a palavra para além da sua relação de causa e efeito, emancipar a linguagem da representação e desdobrá-la em materialidades não lineares e vitalizantes. A conversa é um canal aberto onde proliferam imagens e, nesse fluxo, reside a capacidade de imaginar coletivamente modos de organização menos hegemônicos e de experimentar vínculos entre mundos que normalmente não se tocam.
Datas de realização e horário: 22 a 24 julho, 18h – 21h e 25 julho, 16h – 19h
Valor: 30 euros
Data limite das inscrições: 19 de julho
Valor pacote 2 workshops: 40 euros