Este ciclo de cinema reúne um conjunto de obras que exploram experiências de deslocação, pertença e transformação, atravessando diferentes paisagens, memórias e comunidades. Entre trajetórias individuais e histórias colectivas, os filmes convocam modos diversos de habitar o movimento, de construir identidade e de negociar a relação entre origem, ausência e reencontro.
Entre trajetórias individuais e histórias colectivas, os filmes convocam modos diversos de habitar o movimento, de construir identidade e de negociar a relação entre origem, ausência e reencontro.
Em diálogo com o tema ERRÂNCIAS, MIGRAÇÕES, DIÁSPORAS, os filmes apresentados abordam territórios físicos e afectivos marcados pela circulação de pessoas, saberes e imaginários. Entre a memória e a invenção, a permanência e a mudança, revelam também os desafios que acompanham os processos de deslocação: a distância, a adaptação a novos contextos, as desigualdades, os sentimentos de desenraizamento e as formas de exclusão que atravessam muitas experiências migratórias. Este ciclo propõe, assim, um espaço de reflexão sobre as múltiplas formas de viver a mobilidade e de criar laços para além das fronteiras, evidenciando tanto as dificuldades como as possibilidades de pertença, resistência e transformação que emergem desses percursos.
As Melusinas à Margem do Rio, de Mélanie Pereira
2025, 80 min
Enquanto procura, por entre montes e rios, por Melusina, sereia mutante e lendária da cidade do Luxemburgo, onde cresceu, a realizadora conversa com quatro mulheres sobre as suas identidades incertas: o que é ser imigrante sem o ser e ser luxemburguesa sem o ser. Uma viagem por memórias em tempos de chuva. Uma procura por identidades sempre fragmentadas. Uma tentativa incerta de reconciliações. A memória da emigração reflectida a partir de um olhar contemporâneo de uma geração cuja relação com territórios e deslocações é radicalmente outra.
Nha Mila, Denise Fernandes
2020, 18 min
Depois de 14 anos longe da sua terra natal, Salomé viaja para a Ilha de Santiago, Cabo-Verde, para ver o seu irmão cuja vida está presa por um fio. Faz escala no aeroporto de Lisboa, onde Águeda, empregada de limpeza, a reconhece como “Mila”, sua velha amiga de infância. Águeda convida-a a passar as horas de escala em sua casa, com as mulheres da sua família. Enquanto Salomé luta para desmagnetizar a dolorosa ligação com a sua terra, o espírito do bairro devolve-a à essência à qual ela pertence.
Nha Sunho, José Magro
2021, 20 min
De José Magro, é uma curta-metragem sobre um jovem futebolista guineense, Issa, que, como muitos outros jovens africanos, tem o sonho de jogar em Portugal, nas ligas principais. Expondo as vozes que estão por detrás da câmara, Nha Sunhu é uma reflexão sobre olhar, viés e representação do/a outro/a.”
Territórios, Mónica Baptista
2009, 11 min
Dois homens viajam no mesmo comboio, um soldado russo e um cidadão Checheno que regressa da sua terra natal com a sua família.
Sem eles saberem, algo os liga – a Chechénia – a guerra pela independência de um território de que a Rússia não abdica fazendo com que todos os Chechenos sejam soldados por nascença.
Mistida, Falcão Nhaga
2022, 30 min
Uma mãe vai às compras e o peso dos sacos magoa-a. Pede auxílio ao filho que vem para a ajudar a carregar as coisas no caminho até casa. Ao percorrerem a distância, lidam também com as questões que os assolam.
Kora, Cláudia Varejão
2024, 28 min
KORA traça a silhueta de mulheres refugiadas a viver em Portugal. Em comum entre si, trazem o passado no corpo e nas palavras, bem como aqueles que amam impressos em retratos. A partir dessas memórias, acedemos ao olhar íntimo e político de quem reconstrói o (seu) presente.
Letters from Wolf Street, Arjun Talwar
2025, 87 min
Num bairro de Varsóvia, Arjun filma a rua onde vive e escreve cartas ao amigo com quem ali chegou, anos antes — e que já não está. Migraram juntos da Índia para a Polónia, para estudar Cinema e Pintura.
Filmado num país marcado pela ascensão do discurso de extrema-direita e da xenofobia, Letters from Wolf Street afirma a resistência através do cuidado e da ideia de comunidade. Nos seus afetos, Talwar desenha também um importante espectro da migração: da mais à menos privilegiada, lembrando que todos temos o mesmo direito a existir — e a ser felizes — independentemente de onde chegamos.