A expressão “troca o passo” usa-se para indicar a segunda parte de uma data sem um ano definido (…mil seiscentos e troca o passo). A expressão também pode ser utilizada literalmente e significar trocar de pé, para acertar ou desalinhar o passo com outra pessoa.
Depois de Trolaró, Troca o Passo é o segundo dueto que Ana Rita Teodoro e João dos Santos Martins desenvolvem como pretexto para pesquisarem e se reciclarem enquanto artistas-bailarinas desprendidas da ideia de um projecto.
Caminhar é o traço presente de uma história que já começou, o desabrochar e o desvanecer de uma forma em andamento. É possível avançar no passo mantendo uma relação com buracos negros da história? As curvas elípticas do mundo sugam-nos para registos arqueológicos. Avançamos e recuamos, acertamos o passo e estamos atrasados, corremos e estamos adiantados, paramos mas continuamos a ir.
Um dueto a andar com o butô.
Ficha Artística
Coreografia e performance: Ana Rita Teodoro e João dos Santos Martins
Luz, espaço e arranjos: Filipe Pereira
Figurino: Composição com peças usadas numa manhā de sexta-feira
Músicas inspiradas: Knee (1986) de Meredith Monk; toque goji no chaimu da aldeia de Saruhashi
Produção executiva e administração: Catalina Lescano, Andrei Bessa e Maria Monteiro | Associação Parasita, Association Mimaï
Residências: Casa da Dança, Espaço Parasita, Forum Dança (Portugal), Hijikata-Nakanishi Memorial Saruhashi Soko (Japan)
Apoio: NPO Dance Archive Network, DGArtes Internationalisation Support Programme, Camões – Portuguese Cultural Centre in Tokyo
Produção: Associação Parasita
Agradecimentos: Toshio Mizohata, Connor Scott, Yumi Tateishi, Morishita Takashi, Takao Kawaguchi, Yui Baba, Casa da Dança, Dimitri Rey
Ana Rita Teodoro (Barreiro, Portugal, 1982) é mestra em “Dança, Criação e Performance” pelo CNDC de Angers e a Universidade Paris 8, tendo desenvolvido como pesquisa a criação de uma “Anatomia Delirante”. Mais recentemente, desenvolveu uma investigação em torno da transmissão da dança butô com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e do CND (Centre National de Danse, França) que se concluiu na conferência dançada “Your Teacher, please”. Estudou o corpo através das disciplinas de anatomia, paleontologia e filosofia no c.e.m. com Sofia Neuparth, e o Chi Kung na Escola de Medicina Tradicional Chinesa de Lisboa. Criou as peças “MelTe”, “Orifice Paradis”, “Sonho d’Intestino”, “Palco”, “Assombro” e “FoFo”. Colabora com diferentes artistas em projetos pontuais. Foi artista associada do CND entre 2017-2019 e é atualmente artista associada da Associação Parasita.
João dos Santos Martins (Santarém, 1989) é artista e o seu trabalho abrange várias formas que permeiam a dança, explorando formatos como a coreografia, a exposição e a edição. Preza, na sua prática, modos de fazer colaborativos, tendo criado peças como “Projecto Continuado” (2015) — Prémio SPA Autores — e “Cooperativa” (2025), com Ana Rita Teodoro, Clarissa Sacchelli, Daniel Pizamiglio, Filipe Pereira e Sabine Macher, ou “Está Visto” (2018), com Ana Jotta e Joana Sá. Interpretou trabalhos de Moriah Evans, Ana Rita Teodoro, Xavier Le Roy, Eszter Salamon, Boris Charmatz, Marcelo Evelin, Jérôme Bel, Rui Horta, entre outros.
O seu interesse pelas genealogias da história da dança, levou a criar, juntamente com Ana Bigotte Vieira, um dispositivo para mapear a dança em Portugal — “Para Uma Timeline a Haver” —, e a fundar um jornal semestral — “Coreia” — dedicado a escritos de artistas e sobre as artes. Esporadicamente escreve e faz curadoria.
PARASITA (2014), associação artística sediada em Lisboa. Dedicada à criação, produção e investigação em dança e artes performativas. É financiada pela DGArtes e integra a REDE.
