Num laboratório, forma-se uma nova ordem, onde o altruísmo é lei biológica. Este sistema é guiado por regras simples e rígidas. Não há competição nem ambição, apenas função e repetição. Cada corpo age para servir algo maior do que o próprio. O stress é visto como avaria — uma ameaça ao funcionamento coletivo. Quem perde o ritmo não é castigado: simplesmente deixa de fazer parte do ciclo. A performance existe dentro deste laboratório vivo, onde o corpo é ferramenta e matéria. O movimento nasce da repetição e da necessidade de manter o fluxo contínuo. Cada gesto tem um propósito. Cada ação deixa um rasto. Entre o controlo e a falha, este espaço vivo tenta organizar-se, mesmo quando a própria organização ameaça ruir.
Ficha Artística
Direção artística, criação e interpretação: Ana de Oliveira e Silva e Dinis Duarte
Assistência à criação: Maria Abrantes
Olhar externo: Daniela Cruz
Apoio à criação: Nome Próprio (Incubadora – Criar em Nome Próprio) e CCDR Norte
Apoio à circulação: Fundação GDA
Ana de Oliveira e Silva (1998, Vila do Conde) é bailarina, actriz e performer, licenciada pela Escola Superior de Dança. Integrante da 32ª edição do curso de formação teatral avançada École de Maîtres, ministrada por Anne-Cecile Vandalem em Bélgica, Itália, França e Portugal.
Criadora da peça Lugares Inúteis (GrETUA, Aveiro, 2021) e O coice da mula (festival ZigurFest, Lamego, 2023). Trabalhou com criadores tais como Ana Borralho e João Galante, Mackenzy Bergile, Maurícia | Neves, John Romão, Filipa Francisco, Victor Hugo Pontes, Anne Cecile Vandalem, Diana Niepce, Jonas e Lander, Marco da Silva Ferreira, Formiga Atómica, Aldara Bizarro, Miguel Moreira, Olga Roriz, Yola Pinto, João de Brito entre outros.
Dinis Duarte (Porto, 1994). Cedo experimenta várias modalidades desportivas, destacando a ginástica artística uma das mais
importantes no seu percurso no desporto. Aos 14 anos inicia a sua formação em dança no Ginasiano Escola de Dança. Após conclusão, estreia-se profissionalmente na KALE Companhia de Dança. Como Freelancer tem colaborado com diversos criadores e estruturas artísticas, destacando o trabalho regular com o coreógrafo e encenador Victor Hugo Pontes, em que participou em mais de dez criações. Trabalhou ainda com artistas e estruturas como Olga Roriz, Diogo Tudela, Gaya de Medeiros, Henrique Pina, Miguel C. Tavares,
Instável – Centro Coreográfico, Comédias do Minho, entre outros.
Como criador, desenvolve o seu trabalho entre dança e performance. Entre as suas criações destacam-se Logos (2017), Nem a Própria Ruína (2017) e Só Que Não (2018), apresentadas através da estrutura Busca-Pólo. Em colaboração com Diogo Tudela, integrou ainda a criação Plant Floor Continuum (2021), apresentada no ZigurFest, em colaboração com o coletivo Sal Grosso e a Busca-Pólo e Work (2023). Mais recentemente criou Corpúsculo (2022), em colaboração com a estrutura LIMINA, e Work (2023), em parceria com Diogo Tudela, apresentado na Fundação de Serralves.
