Quando já não existe salvação, o corpo tenta fabricá-la. Talvez seja essa a condição que sustenta esta performance. Não a procura de uma redenção ou de um alívio, mas a necessidade de construir, através do próprio corpo, uma possibilidade de fuga. A ação nasce desse desamparo. O público entra na Sala Ferro quando a performance já se encontra em curso. No interior da banheira, uma figura permanece dobrada sobre si própria, chorando continuamente. Quando a banheira fica completamente cheia, a figura interrompe o choro e mergulha repetidamente na água, procurando permanecer o máximo de tempo possível debaixo da superfície antes de voltar a respirar.
Ficha Artística
Conceito e performance: Bárbara Fonte
Assistência: António Machado
Bárbara Fonte (1981, Braga) é artista plástica, licenciada em Artes Plásticas – Pintura e pós-graduada em Teoria e Prática do Desenho pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. O seu percurso revela uma prática multidisciplinar onde convergem as artes visuais, a performance e o desenho. O seu trabalho afirma-se como uma performance íntima que investiga a linguagem simbólica, entrelaçando dimensões pessoais, culturais, políticas e religiosas. Participou em exposições e projetos nacionais e internacionais em Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Brasil. Tem realizado numerosas exposições individuais e apresentado performances em instituições e festivais em Portugal e no estrangeiro.
