Originária da vila de Alcáçovas, Alentejo, esta obra cruza a arte chocalheira tradicional com práticas artísticas contemporâneas, ancoradas na percussão e na dança. Os chocalhos foram declarados como Necessidade de Salvaguarda Urgente pela UNESCO em 2015 e em Terra Cobre os artistas desafiam a iconografia e simbologia tradicional portuguesa para a colocar num patamar exploratório e sensorial.
A obra consiste numa instalação escultórica e sonora, visitável em um espaço determinado, e uma performance de 50 minutos, ocorrendo na inauguração ou encerramento da exposição.
A instalação serve como cenário para a performance, contribuindo para a atmosfera e narrativa performativa. João e Marco exploram conceitos de identidade, cultura e sociedade, reinterpretando heranças culturais ancestrais e desafiando convenções estabelecidas. Utilizam os materiais dos chocalhos para criar uma composição escultórica, sonora e física, retratando uma paisagem repleta de memórias, onde pastores e bestas se encontram.
Ficha Artística
Criação e interpretação: João Pais Filipe e Marco da Silva Ferreira
Som: Rafael Maia
Produção executiva: Ana Ademar, Hugo Alves Caroça, Mafalda Bastos
Encomenda e produção: BoCA – Biennial of Contemporary Arts e Pensamento Avulso
Co-produção: Futurama, Pensamento Avulso
Residência artística: O Espaço do Tempo
Apoio: Fábrica de Chocalhos Pardalinho
João Pais Filipe e Marco da Silva Ferreira desenvolvem percursos artísticos marcados pela experimentação, pela fisicalidade e pela criação de linguagens próprias. João Pais Filipe cruza percussão, construção de instrumentos e escultura sonora, colaborando com diversos projetos musicais nacionais e internacionais. Marco da Silva Ferreira afirma-se como um dos mais reconhecidos coreógrafos portugueses da sua geração, fundindo referências das danças de rua, clubbing e contemporâneas em peças apresentadas internacionalmente. Juntos, exploram territórios de tensão entre corpo, ritmo, matéria e movimento, numa abordagem performativa profundamente sensorial e interdisciplinar.
